Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

London

 

Londres, minha liberdade, fantasia, Londres de sonho.
Deixei-te, longe, há quase dois meses. E todos os dias continuo a recordar-te. As tuas e minhas fotos… recordando entre lágrimas e sorrisos as melhores três semanas da minha vida.
O medo que senti ao apartar-me dos meus pais no aeroporto, e encarar o desconhecido, desvaneceu-se como se nunca tivesse sequer existido. Como se fosse algo indubitavelmente infundamentado.  
Em quase 20 anos não se tomam grandes decisões que possam afectar uma vida:  Até agora a universidade havia sido a de maior peso. Mas talvez ter embarcado nesta aventura tenha sido a melhor decisão tomada. A melhor grande decisão.
Em 3 semanas conheci uma cidade, ou parte dela, conheci gente de muitos sítios, pus à prova os meus conhecimentos, e fiquei satisfeita com eles, fiz amigos, pessoas que me mudaram, me ajudaram a crescer e a olhar a vida por um novo prisma. Gente de quem sinto muita falta, muita falta. E acima de tudo comecei a conhecer-me. Já sabia que era difícil alguém me entender, contudo não me havia, até ai, olhado tão introspectivamente. Foi só o começo.
Londres marcou-me em muitos  momentos. Houve-os tristes, muito tristes, mas os de felicidade, amizade e descoberta… ultrapassaram-nos.
Recordo com demasiada saudade, quase todos eles. E a verdade é que dou por vezes comigo a chorar: com cartas escritas, com fotos, com recordações… ou a rir sem parar com os vídeos, mais fotos, e outras muitas mais recordações.
Lembro-me da residência e da primeira impressão ao chegar: querer voltar para casa de imediato. Detestei o primeiro dia. E lembro-me da última impressão, ao sair: queria guardar para sempre aquela chave e não passar pela porta.
Lembro-me do receio ao aventurar-me no metro, e a felicidade de chegar sã e salva a Charing Cross. E de todos os dias subir aquelas escadas intermináveis da Malvern House.
Lembro-me das apresentações no primeiro dia: quando não sabia ainda como aquelas pessoas seriam importantes. E concluo agora como primeiras impressões podem ser certas.
Lembro-me das compras no Tesco e das conversas com o senhor da caixa, das compras fascinantes na Boots, das sandes diárias do Prêt-à-manger e dos brownies do McDonald’s. De comer sentada num passeio, num banco de jardim ou debaixo de uma ponte, para fugir à chuva.
Lembro-me dos gritos no London Dungeon, e de procurar uma mão para agarrar, ou para correr dali para fora. De perguntar aos polícias se estava realmente diante do Palácio de Buckingham e de estar deitada em Green Park pensando se realmente estávamos a ver executivos, de fato, a fazer tai-chi.
Lembro-me de apanhar o metro para qualquer deslocação e de fugir de lá às 18h, na terrível hora de ponta! E claro, de verificar o mapa sempre antes de sair de casa. De observar a assombrosa multiculturalidade enquanto espero a chegada da estação e de deitar o olho ao jornal do vizinho.
 E de procurar o autocarro 73 ou 205 à noite.
Fascinei-me no Science Museum e lembro-me de ficar exausta no National History Museum. E de passar cinco horas na National Gallery, sorrindo ao ver, por fim, Monet. Aborreci-me no Old Bailey ao ver um julgamento, com senhores de peruca branca mas do qual não percebi nada, e no TATE Modern. Diverti-me ao ficarmos presos, no metro, a caminho de Notting Hill, e ao ver o musical Grease no West End! Apaixonei-me por Camden Town e pela diversidade que nos oferece. Amuei ao tentar aproximar-me de esquilos que ficavam com o meu lanche, e ao visitar o túmulo de Karl Marx (ninguém cobra 3£ por entrar num cemitério). Lutei ao assinar a porta de Freddie Mercury, para deixar Portugal em melhor posição que Espanha! ;) Flirtei com o George Clooney no Madamme Tussaud’s e animei-me a preparar uma festa surpresa. Deliciei-me com uma bebida de frutos silvestres num pub e assustei-me ao ser abordada por estranhos: seja no Mc Donald’s, ou simplesmente ao caminhar junto a Regent’s Park. Emocionei-me na Tower Bridge à noite, ao cantar “A Whole New World” em grupo, e no Jubilee Market, en Covent Garden, com uma leitura da palma da mão. Impressionei-me ao deambular pela city ou quando saí à noite no Soho. Adorei Cambridge ao esperar que a chuva passasse, debaixo de uma árvore, ou correndo para encontrar um sítio para comer – barato e sem filas. Enterneci-me antes de adormecer no comboio e quando voltava para casa de autocarro… com simples gestos. Relaxei em Regent’s Park num domingo de sol e passeei, calmamente, pela Abadia de Westminster.
E recordo, com ternura e demasiada saudade, sorrisos, olhares e palavras. Tentativas de decifrar o meu segundo nome com demasiado humor e conversas sem nexo, com espanhóis à porta da discoteca. Descobrir um português na Pizza Hut e ficar a saber que não há Ice Tea por ali. Beber frapuccinos no Starbucks a acompanhar conversas de raparigas, em inglês. E cantar-mos, em união feminina, Fighter da Christina Aguilera enquanto preparávamos o jantar. Aprender e repetir “con pasión”: “Ay oma que rico!!!”. Aprender a jogar snooker… ou pelo menos tentar, de madrugada, na sala comum. Procurar o estádio do Chelsea e ficar desapontada ao chegar lá, mas valer a viagem. Ir até Mile End para uma noite em grupo a jogar  Máfia. Ouvir um “Are all the portuguese girls so pretty?” (ou algo assim) de um vendedor de recordações. Esperar um autocarro (se é que passava, perguntava-me) às 3h da manhã, sentada na berma do passeio, da totalmente desconhecida zona 3 de Londres. Deambular às 5h por Regent’s Street à procura de um autocarro que me levasse à minha única hora de sono. Momentos de confidências, lágrimas, sorrisos, partilha num solitário banco de jardim. O poder de umas mãos que seguram as minhas e de um suspiro. Ou de alguém que espera à minha porta, a cada manhã, ou a cada saída. E o poder das palavras, de um elogio e de carinho.
Mas também a recordação de lágrimas de dor e de despedidas imperfeitas.
São memórias sem fim que poderia narrar toda uma noite…
Como diz uma publicidade aqui em Espanha, “Lo Bueno nunca acaba si hay algo que te lo recuerda.” Londres nunca acabará: ficará para sempre viva e presente na minha mente e no meu coração.
ânimo:
melodia: Summercat - Billie the vision& the dancers
redigido por cricri às 22:56
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