Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

1st day

 

Para minha surpresa acordei com relativa facilidade ao toque do despertador às 6.00 a.m.! Sem dúvida que, por mim, tinha ficado mais tempo a dormir, mas esperava-me um longo dia, completamente incógnito..! No dia anterior haviam-me aconselhado ir de metro até à escola, uma vez que a pé seriam cerca de 40min…
Lá saí da residência às 7h10, comendo de pequeno almoço o que consegui encontrar de mais saboroso na “vending machine” da sala comum: um muffin de chocolate e uma Fanta de laranja. Fantástico, uma Fanta às 7h da manhã… E lá segui eu, pela rua, tomando o pequeno-almoço a caminho do metro.
Agora por pontos:
Ponto 1 - havia andado de metro talvez 3 vezes na minha vida;
Ponto 2 – nunca o havia feito sozinha;
Ponto 3 – isto é Londres.
“Ok, relaxa, isto vai correr bem!” Apesar de King’s Cross St. Pancras ser a estação mais perto, resolvi andar até à Euston Station, já que na primeira havia que fazer transbordo. Bem, a Oyster card que permite acesso ilimitado ao metro ou Tube, já eu tinha e sabia que havia que passar numas máquinas…. Tudo para além disso era uma incógnita para mim.
Pronto, andei de mais, fui parar à estação de Euston Square e graças a um senhor que andava a limpar vidros lá me informei para onde tinha de ir. Não sabendo quase distinguir a plataforma do comboio da do metro, ainda fui às informações: “Wow, a minha mãe tinha razão: quem tem boca vai MESMO a Roma!” E lá aproximei a minha Oyster da máquina, passando pela barreira e seguindo a multidão pela cor negra que indicava a minha linha: Northern Line. Contei as estações que havia até Charing Cross, que sabia ser o meu destino, recontei, memorizei e 1minuto depois lá estava o metro. E entrei, imitando os que via.
Segui ao que me parecia ser grande velocidae pensando nos atentados de há uns anos, e passados nem 10minutos apeei-me em Charing Cross.
“Hummm, e agora a escola? Tenho de encontrar a Buckingham Arcade, a Buckingham Street…” Mas nada de Buckinghams por ali. Mas eis que, num simples acaso do destino olho para uma placa que tinha uma das palavras da rua que procurava. Encontrei-a, e ao começar a ficar desesperada, por chegar ao final e nem ver sinal da escola… lá estava ela! “Thanks God!”
Lá me indicaram a minha sala, subi, bati à porta…
“Please, can I come in? I’m sorry, it’s my first day here…” E o professor que até agora não consigo bem definir: “No problem! It’s my first day here too! And theirs! I’m Mark” Imaginem tudo isto dito com um sotaque londrino, com um senhor de 1,77m (ele disse-nos), com alguma barriguinha notável, sorridente e bastante, bastante expressivo. 
E começaram as apresentações. Se bem me recordo: 3 espanhois, 3 espanholas, 2 italiano, uma japonesa, uma sul-coreana, uma russa… e a única portuguesa. E na mesma aula calhou uma rapariga espanhola, da mesma idade que eu, e que também está no 2º ano de medicina! Mas ela na Universidade de Santiago de Compostela. Como o mundo é pequeno…
A aula passou-se muito bem! O pior momento foi quando o professor, no meio das conversas em que nos fazia responder ou colocar questões me diz “…and would you marry me?” com um grande sorriso. Er… o que se diz neste caso? E só fui capaz de dizer “Hmm, perhaps in other life… who knows?” Bem, acho que ele não entendeu o sentido que eu queria dar! Acho que ele não entendeu o sentido que eu lhe queria dar. Perguntava-nos ele no inicio da aula uma “embarrasing situation”: ora aí está uma!
A aula acabou às 11.00 e tínhamos até às 14h livres. Então fui com uma a tal colega de curso dar uma volta. Passámor por Trafalgar Square, tirei fotos á Nelson’s Column, à praça, à British Gallery e ao longe, o Big Bem. Bem, imensa gente. Metemo-nos depois em direcção a St. James Park, e andámor por aquelas ruas. Pelo caminho aproveitámos uma casa da cadeia “Prêt-a-manger” para comprar o almoço: “sandwich…, yumi! Outra vez sandwich!” (Quando voltar a Portugal vou ficar meses sem poder ver sandwiches, aposto). Fomos até Piccadily Circus, mais fotos, e seguimos para Leicester Square para comer no parque. Ali, ao lado de executivos de gravata que comiam uma salada de um género de tupperware, com um rapaz de ascêndencia japonesa que escutava música num ipod, a um senhor que passava e metia as mãos no caixote do lixo para apanhar alguma coisa, e grupos de jovens turistas histéricos com as poses para as fotos,… vê-se de tudo. Aproveitei para dar uma olhadela ao Odeon. Há por todo o lado cartazes do filme “Harry Potter and the Half Blood Prince”, excepto lá, onde figuravam os “Transformers”. Daí voltamos, de novo de metro, para receber a “Induction” ou bem-vinda, na escola.
 
Depois resolvemos ir ao British Museum. Obviamente que eu já estava cansada de andar, doía-me o corpo todo, já só imaginava a minha cama, mas lá concordei. “Aquilo deve ser tão grande que para ver tudo mais vale começar por ir vendo umas partes aos poucos”.
Não pude deixar de sorrir ao ver o museu. Por fora, lindíssimo!
Por dentro, choque. Choque total. Hmm, I’m sorry… onde é que estão os seguranças, o aparato policial todo, os revisores, detectores de metal, …? Então eu vou ao Museo del Prado e nem uma garrafa de água me deixam levar, por causa daquelas pinturas… espanholas, e aqui, no British Museum, céus, com as múmias, com esculturas gregas, egípcias, coisas valiosíssimas(!) nem sequer barram a entrada? É como estar no meio da rua mas a diferença é que há um telhado e tens coisas expostas à volta? Impressionante. Deveras.
Bem, parte boa: primeira coisa vista… a pedra da Roseta! Ansiava há muito tempo por vê-la, na verdade, e adorei. É fascinante, pensar que foi graças a ela que hoje conseguimos decifrar hieroglifos. De resto havia mais “egypcian stuff”, passámos à parte grega, bastantes esculturas, muito bonitas, frisos e altos relevos do Parthenon, etc.
Depois tentamos ir ver as múmias… E uma emergência no terceiro piso barrou-nos a entrada durante o dia todo. Eis a parte má. Aí não pude entrar nessa parte do museu, mas deu pelo menos para ver o restaurante. Como era mesmo? 18£ por um afternoon tea. Adoravelmente razoavel.
(Isto é tão caro…)
Sem mais nada de especial para ver lá… próxima paragem? King’s Cross. Missão? Encontrar a “Plataform 9 ¾”. Por um lapso da JKRowling, ao confundir King’s Cross com outra estação, é impossível a réplica da estação imaginária situar-se entre a Plataforma 9 e  10. Então está por ali próxima. Lá encontramos, apesar de a terem mudado devido às obras de requalificação que estão a decorrer.
Fizemos fila para tirar foto sna plataforma e por fim fui às compras, tentar comprar alguma coisa para comer de pequeno-almoço que não seja uma bebida com gás. Lá encontrei leite! Como é que fui capaz de passar até agora mais de 24h sem leite? Antes diria impossível. Fabuloso Tesco!
Por fim, cada vez mais me admira a multiculturalidade de Londres. É possível encontrar todo o tipo de gente! Além disso, pediram-me informações aí umas 5 vezes – sim, eu que estava pela primeira vez cá, a dar informações a ingleses nativos! Wow!
Foi bom. Amanhã acho que não me vai custar tanto acordar às 6h. Adoro o metro!;)
 
Pensamento do dia: Acho que vou dar muito mais valor ao conforto quando chegar a casa.
ânimo:
melodia: "Flighless Bird, American Mouth" Iron and Wine
redigido por cricri às 23:01
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